Em Minas, foram identificados 1.468,76 hectares de desmatamento ilegal, o que equivale a 1.400 campos de futebol, durante a fiscalização realizada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG).
A operação Caatinga Resiste identificou 10.434 hectares de desmatamento ilegal no semiárido brasileiro, sem autorização para supressão de vegetação, distribuídos por nove estados, segundo balanço preliminar apresentado na manhã desta sexta-feira 20 de março, durante coletiva de imprensa realizada em Aracajú, no Estado de Sergipe (SE).
A ação foi realizada entre os dias 9 e 19 de março de 2026 e mobilizou Ministérios Públicos, órgãos ambientais e forças policiais de Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Em Minas, foram identificados 1.468,76 hectares de desmatamento ilegal, o que equivale a 1.400 campos de futebol, durante a fiscalização realizada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG).
Em 46 áreas rurais de fazenda e de pastagem vistoriadas, nos municípios de Gameleiras e Jaíba, no Norte do Estado, foram aplicadas mais de R$ 20 milhões em multa pelos agentes da Semad, com participação da PMMG na confecção dos boletins de ocorrência ambiental.
A operação Caatinga Resiste foi coordenada em Minas pelo Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente (Caoma), com participação da Coordenadoria Regional das Promotorias de Meio Ambiente das Bacias dos Rios Verde Grande e Pardo de Minas e do Núcleo de Combate aos Crimes Ambientais (Nucrim).
Além das multas aplicadas, a operação no Norte de Minas prendeu uma pessoa e aprendeu uma arma de fogo, dois mil metros cúbicos de lenha, o que equivale a 50 carretas cheias, e 19 metros cúbicos de carvão. Pelo MPMG, coordenou a operação nos municípios de Gameleiras e Jaíba a promotora de Justiça Maria Izabela Santos Colares. Participaram da ação três integrantes do Nucrim, 13 militares da PMMG e 12 agentes da Semad.
De acordo com a promotora de Justiça Maria Izabela Colares, a operação foi um compromisso coletivo interestadual e interinstitucional na defesa da Caatinga, um bioma exclusivamente brasileiro e único no mundo. “Estamos falando de um ecossistema rico em diversidade, adaptado a situações climáticas desafiadoras e essencial ao semiárido”, disse. Preservar esse ecossistema, segundo ela, significa proteger a fauna, a flora, os recursos hídricos e, especialmente, a população que depende desse território
Sobre a mobilização realizada em nove estados brasileiros, a representante do MPMG disse que “não se trata de uma operação exclusivamente repressiva, mas de uma ação preventiva e pedagógica, em que o estado se faz presente nesse território para reafirmar o benefício da Caatinga à coletividade e cobrar o uso dos recursos naturais de forma responsável e sustentável”.

Atuação Nacional
Nos nove estados, a operação Caatinga Resiste fiscalizou 324 alertas de desmatamento identificados por monitoramento remoto via satélite. As ações resultaram, até o momento, no embargo de 6.673 hectares e na aplicação de quase R$ 27 milhões em multas, atingindo aproximadamente 295 imóveis rurais.
Os estados com maior área fiscalizada foram Pernambuco (2.752,12 ha), Ceará (2.062,54 ha) e Piauí (1.583,32 ha), concentrando os maiores volumes de desmatamento identificados pela operação. As irregularidades envolvem principalmente a supressão de vegetação nativa sem autorização válida, além de inconsistências em registros ambientais – como cadastros rurais.
O balanço final da operação tende a apresentar números mais elevados, uma vez que parte dos dados ainda não foram consolidados ou incorporados
Durante a operação, também foram identificadas outras infrações ambientais em vários estados, como a apreensão de animais silvestres, a extração ilegal de areia e minério, o uso irregular do fogo para supressão de vegetação e a exploração ilegal de madeira.

Iniciativa
A operação Caatinga Resiste é uma iniciativa da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa). E a coordenação nacional é do Ministério Público de Sergipe (MPSE), responsável pela articulação entre os Ministérios Públicos estaduais.
Os resultados da operação ganham relevância em um cenário recente de oscilação do desmatamento no bioma, o terceiro mais desmatado do país e estratégico como sumidouro de carbono. Após uma alta expressiva em 2024, com perda de mais de 174 mil hectares de vegetação nativa, a Caatinga registrou redução de 9% no desmatamento em 2025 (Deter/INPE). Ainda assim, os números revelados pela operação indicam que a pressão sobre o bioma permanece elevada, exigindo ações contínuas e coordenadas de fiscalização e controle.

Inspirada na experiência da Operação Mata Atlântica em Pé, a força-tarefa utiliza os dados dos alertas de desmatamento disponibilizados pelo MapBiomas, como também o cruzamento de bases de dados oficiais, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), o Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais (Sinaflor) e as Autorizações de Supressão de Vegetação (ASVs), além de fiscalizações presenciais e remotas.
Nos casos em que foram constatadas irregularidades, o Ministério Público adotará medidas extrajudiciais e judiciais para interromper os danos, promover a reparação ambiental e responsabilizar os infratores, inclusive pelos danos climáticos decorrentes do desmatamento.
Álbum de fotos Operação Caatinga Resiste 2026
Ministério Público de Minas Gerais
Assessoria de Comunicação Integrada
Diretoria de Conteúdo Jornalístico
jornalismo@mpmg.mp.br

