Ele relata que foi realizada uma tomografia e, em seguida, uma segunda cirurgia, sem que a família fosse informada ou autorizasse o procedimento.
A morte do idoso Manoel Cardoso de Brito, atendido no Hospital Municipal de João Pinheiro, tem causado comoção e levantado graves suspeitas de negligência médica. O filho da vítima, Samuel Cardoso de Brito, afirma que o pai morreu após complicações cirúrgicas e denuncia que uma pinça Kelly instrumento cirúrgico semelhante a uma tesoura, teria sido esquecida dentro do corpo do paciente durante um procedimento realizado na unidade de saúde.
Segundo Samuel, o caso começou na quinta-feira, quando a família foi informada de que Manoel, que era acamado havia mais de três anos, passou mal e apresentava vômitos com sangue. Apesar das limitações, o filho relata que o pai mantinha lucidez e autonomia parcial. O SAMU foi acionado e encaminhou o idoso à UPA, sendo posteriormente transferido para o hospital municipal.
No dia seguinte, o quadro se agravou. De acordo com o relato, a mãe de Samuel foi chamada ao hospital e orientada a assinar documentos informando a gravidade da situação. A equipe médica teria apontado o rompimento de uma úlcera, o que levou à realização da primeira cirurgia. Manoel Cardoso de Brito permaneceu internado na UTI durante o fim de semana.
Após o procedimento, o paciente foi transferido para um quarto, momento em que o filho passou a acompanhá-lo diariamente.
“Na primeira noite ele estava bem, ativo, até corado. Eu acreditei que a cirurgia tinha dado certo”, afirmou Samuel. No entanto, nos dias seguintes, ele passou a notar uma piora progressiva no estado clínico do pai.
Segundo o relato, Manoel apresentava sonolência excessiva, pouca reação a estímulos e dificuldades para se alimentar, com risco de engasgos.
“Eu chamava meu pai e ele não respondia. Coloquei água na boca dele e quase engasgou. Aquilo não era normal”, contou.
Mesmo diante do agravamento do quadro, Samuel afirma que não houve comunicação clara por parte da equipe médica. Ele relata que foi realizada uma tomografia e, em seguida, uma segunda cirurgia, sem que a família fosse informada ou autorizasse o procedimento. Apenas depois da intervenção o médico teria explicado que a cirurgia foi necessária devido a uma infecção grave.
Ainda conforme o filho, o profissional informou que um dreno havia sido esquecido no corpo do paciente durante a primeira cirurgia. Dias depois, Samuel recebeu a informação de que exames indicavam a presença de um objeto metálico, posteriormente identificado como uma pinça Kelly, instrumento cirúrgico utilizado para contenção de vasos e tecidos.
“Achei que fosse boato, conversa fiada. Mas me orientaram a pedir os exames e as tomografias antes e depois da primeira cirurgia”, relatou.
Manoel Cardoso de Brito permaneceu cerca de 13 dias internado na UTI e morreu no dia 11. O filho afirma que a família enfrenta dificuldades financeiras para buscar responsabilização judicial, mas reforça que não pretende se calar.
“Meu pai tinha problemas de saúde, mas poderia estar vivo. Ele não precisava morrer assim”, declarou.
Samuel cobra investigação rigorosa e responsabilização dos envolvidos.
“Eu só quero que a justiça seja feita. Até quando as famílias vão perder seus parentes por negligência médica?”, questionou.
Fonte: paracatunews.com.br

